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OS MEUS DOIS EPISÓDIOS COM MÁRIO SOARES 

E O QUE MUDOU ENTRE ELES

 

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Passado o tempo de frenética, merecida e esclarecedora, por vezes pedagógica, “inundação” televisiva/informativa sobre Mário Soares, partilho os dois episódios da minha vida em que me cruzei e troquei ideias com ele e aqueles, onde não tendo trocado ideias, tomei posição.


- Episódio 1: O dia em que Mário Soares não me quis no PS (1979/80)


No longínquo tempo de 1979/80, eu era um dos dirigentes da Associação de Estudantes da Universidade de Évora, da qual tenho honra de ser fundador.

As Direções onde participei eram uma autêntica saudável “geringonça” antecipada, com uma informal aliança de independentes de esquerda (como eu) e jovens do PS, PCP e UDP, por exemplo.

Mas resultava.

Os ditos “independentes” eram, como eu, frequentemente, “assediados” para se filiarem no PCP e, também, no PS.

Isso aconteceu comigo.

Surgiu, nessa altura, animado pelo professor universitário Dr. Alberto Teixeira Ribeiro, em Évora, um movimento de novas adesões ao PS, mas pelo “lado esquerdo”, em Évora, que, contudo, não foi bem visto pela estrutura distrital.

Lá decidimos preencher a ficha de adesão e entregá-la.

Eu fui um deles.

Até participei em reuniões e recebi um “cartão provisório”.

Mas tardava o “definitivo”, ou seja, não eramos ainda militantes de pleno direito.

Resolvemos, então, no verão de (julgo) 1980, deslocar-nos a Lisboa, à Rua da Emenda, onde o PS tinha instalações, com audiência marcada com o Dr. Mário Soares (Secretário Geral) e a Comissão de conflitos (Manuel Alegre).

O assunto era simples: queríamos dar contributos ao PS no Alentejo, pela Esquerda e não percebíamos porque tardava a nossa aprovação definitiva como militantes.

Eu fui um daqueles que expôs a questão, como “jovem universitário”.

Lembro-me de um Mário Soares sentado no sofá, vestido num impecável fato castanho e com meias brancas, que, sobranceiro, nos diz, taxativamente: “O PS não precisa de pessoas como vocês. Ou seja, esquerdistas”.

Eu saí imediatamente da sala.

Senti-me ofendido, porque eu era de esquerda, mas “esquerdismo” era insulto.

Eu até era dos meios católicos, ao tempo.

Sobretudo, zangado e desiludido com Mário Soares.


- Episódio 2 : Estremoz 2006 (Eleições Presidenciais)


Nessas eleições, votei Franscisco Louçã para as “presidenciais” e fiz campanha por ele.

Contudo, cruzo-me, com Soares, na Feira “Cozinha dos Ganhões”, em Estremoz, onde vivia, pouco antes do ato eleitoral.

Dois amigos comuns (a Helena Maria e José Alberto Fateixa quase me obrigaramm a ir cumprimentar Soares, e eu fui e disse-lhe que, na segunda volta (que não haveria, porque, afinal, deu “Cavaco” logo à primeira), não votaria nele, porque quem passaria à 2ª volta era Manuel Alegre.

Referi-lhe o primeiro episódio, de 1980 (é evidente que ele não se lembrava) e ele replicou que as decisões são boas ou más conforme o fim que atingem, e não em si mesmas.

Assim.

Saí a gostar dele.

 

Algo mudou entre esses dois momentos distantes.


Ouvi, há pouco, os discursos dos filhos de Soares nas cerimónias ditas “de Estado” e percebi muito do que intuía: como Fidel Castro, embora em configurações diferentes, Soares soube dizer, também, à sua maneira “A História dar-me-á razão”.

E deu-lhe.

E continua a dar.


Eu sou eleitor desde 1975 (primeiras eleições pós 25 de Abril) e, das 10 vezes, que Soares foi candidato ou cabeça de lista a qualquer coisa, só em duas votei nele.


Mas reconheço-lhe o perfil e prática, sábia, corajosa, consensual, de procura de equilíbrios sem perder de vista valores, que marcaram a “ginástica” política que teve de fazer e que é um tratado de gestão política com ética, com valores, que não à espera de favores.

Mesmo quando colocou o “socialismo na gaveta”, coisa que detestei.

 

Emociono-me, desde a madrugada de Domingo, com as fundamentais entrevistas a Mário Soares que não param de ser recordadas e emitidas, nos canais de TV. E ainda bem.


Numa delas, ele disse, recordando o exílio em França, que lia, ao tempo, nas paredes do “Quartier Latin” de Paris, “Sejamos realistas, exijamos o impossível”.

Soares dizia que era verdade e esse era o objetivo.

Mas aquilo que distinguia os socialistas da restante esquerda era saberem que que o impossível nunca se atingiria, mas, por ser uma meta, valia a pena irmos aproximando-nos cada vez mais dessa meta, mesmo se impossível e lutando por ela.

Porque a humanidade assim caminha.


Valeu a pena eu ter partilhado o tempo, desde 1974, com Soares, gostando e não gostando.
Aprendi muito .

Digo isto sem hipocrisia, preconceitos e muito menos interesses.
Fazer História, a saber que sabemos que a fazemos.

Como Mário Soares.

 

Até sempre, Camarada da Esquerda.

 

(Abel Ribeiro - 10-01-2017)

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publicado às 19:48


Democracia sem mãe

por efepe, em 12.01.17

 

O machismo pontifica na sociedade portuguesa.

Afinal, a democracia lusa não tem “mãe”.

Maria Lamas, Virgínia de Moura, Margarida Tengarrinha ou Maria de Lourdes Pintassilgo, entre outras, podia ser a “mãe” da democracia portuguesa.

A ascensão da mulher no mercado de trabalho e na política é multiplicativa.  

É um exagero afirmar Mário Soares como o campeão da luta pela liberdade e democracia.

 

As manifestações políticas rememorativas não podem elevar o culto da personalidade.

Os quadros políticos forjados na luta clandestina contra o Estado Novo são “pais", ”mães”,”filhos” e “netos” da democracia.

Saibamos honrar a memória de todos os activistas anónimos  que perderam a vida na luta pela democracia e liberdade.

 

Ademar Costa, Póvoa de Varzim

 

(copiado das Cartas ao Director - Público)

 

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publicado às 21:24


A minha homenagem a Mário Soares

por efepe, em 11.01.17

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A minha homenagem ao meu "inspirador" político ...

(após o celebérrimo debate televisivo Álvaro Cunhal - Mário Soares)

 

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 (Publicação do Publico online)

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publicado às 22:55

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 (a foto é da sua penultima prisão em Dezembro de 1967)

 

O meu pai, Mario Soares, morreu hoje dia 7 de Janeiro de 2017, às 15.28 horas.

No Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, em Lisboa.

Onde estava desde 13 de Dezembro do ano passado.

A minha irmã Isabel e eu estávamos a seu lado.

Como sempre desde que nascemos.

 

 

O seu funeral, organizado pela Presidencia da Republica,

presidencia da Assembleia da Republica e Governo,

terá lugar a partir de segunda feira dia 9 de Janeiro.


(João Soares - 07-01-2017)

 

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«Estive sempre com os que eram oprimidos e se sentiam excluídos do seu país.

Em Lisboa, em S. Tomé, em Paris, na Fonte Luminosa.

Lutei sempre para que os portugueses pudessem conviver em liberdade uns com os outros e para que todos se sentissem parte de Portugal.

Para que nenhum deles se tornasse um cidadão de segunda classe por causa das suas ideias ou da sua pobreza.»

 Mário Soares (1924-2017)

 

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(João Gonçalves - 07-01-2017)

 

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«Nunca dei uma excessiva importância aos debates ideológicos e sempre condicionei muito mais a minha acção pelas relações políticas e tácticas no terreno, por forma a, pragmaticamente, levar a água ao meu moinho.»

 

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(João Gonçalves - 07-01-2017)

 

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Os Estados não se avaliam pelo dinheiro que têm,mas sim pela sua história e pela sua gente.

Nesse sentido, Portugal não pode ser considerado um País pobre, bem pelo contrário.

Mário Soares, Jornal i, 13 Abr 2013

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 (Graca Costa - 07-01-2017)

 

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Morreu o Pai da Democracia: Mário Soares.

(Daniel Adriao - 07-01-2017)

 

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SOARES partiu...

mas ficará connosco para sempre.

Obrigado.

(Carlos Fortes Ribeiro - 07-01-2017)

 

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Obrigado, Mário Soares.

Só há uma forma de te agradecermos o tanto que nos deixaste:

continuar a defender os valores da liberdade, da democracia, do progresso e da igualdade.

(Fernando Medina - 07-01-2016)

 

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Mário Soares fundador e referência maior do Partido Socialista em Portugal faleceu hoje, depois desta sua última luta que durava desde 13 de Dezembro passado.

Mário Soares disse uma vez que “a liberdade é em si mesmo um valor revolucionário, a liberdade de palavra, de pensamento, o de discordar".
Disse também que “não há liberdade sem igualdade nem igualdade sem liberdade”. Essa é a herança dele a herança que todos devemos defender e transmitir.

A sua história será sempre a história do século XX português.
O 25 de Abril e a transição para a democracia são momentos tão marcantes e, ainda, tão recentes que não conseguimos ter deles uma visão objectiva e racional.
A liberdade não tem pais porque somos - todos nós – que a fazemos todos os dias. Mas é muito pela influência de Mário Soares que hoje a podemos viver e continuar a construir. Esse é o testamento que nos legou e que perdurará na história.

Até sempre, camarada.

(José Manuel Graça - 07-01-2017)

  

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Partiu uma parte da Europa porque lutámos e sonhámos.

Partiu uma parte da Europa social, da Europa das pessoas e pelas pessoas.

Da Europa da Paz.

Fica a Europa das empresas, dos orçamentos,dos deficits,dos pibs,das agencias de rating,dos grunhos do capital selvagem.

Da Europa a caminho da guerra.
De mais uma!

 

"Pessoas que preferiam continuar a ver soldados Portugueses a perder a vida do que perderem a criadagem africana, jamais perdoarão a Mario Soares".

Afonso Dias

 

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Na história do Portugal Contemporâneo, de entre os portugueses que lutaram pela liberdade, a democracia e o progresso estará inscrito em lugar de enorme destaque, Mário Soares.

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 Obrigado Mário Soares.

(Jose Alberto Fateixa - 07-01-2017)

 

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Amado e venerado por muitos.
Odiado e desrespeitado por outros tantos.

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Mas no acordo ou na discórdia, num aspeto seguramente existe unanimidade.
Mário Soares foi um grande HOMEM, um grande POLÍTICO, um grande ESTADISTA.


Mário Soares foi um lutador pela LIBERDADE e pela DEMOCRACIA, uma figura incontornável da nossa história recente, um homem que nos deixa um legado político de valor incalculável e cujo exemplo deve/deveria ser seguido pelas gerações vindouras.


Todos temos direito a mudar de opinião e até é compreensível uma evolução nas opções políticas de cada um, no entanto, não deixa de ser surpreendente ver hoje alguns auto-intitulados “socialistas salvadores da pátria” a opinar sobre o desaparecimento desta personalidade relevante da vida política nacional; quando outrora e nos tempos mais difíceis da vida política nacional se encontravam na linha da frente dos que combatiam o Socialismo Democrático e criticavam/ofendiam acerrimamente Mário Soares.


Como dizia outro grande estadista, Francisco Sá Carneiro: “A política sem risco é uma chatice, mas sem ética é uma vergonha”.


Felizmente, orgulho-me de fazer parte daquele PS que sempre esteve do lado de Mário Soares.


Já agora e para aqueles que continuam com uma opinião muito crítica em relação ao processo português de descolonização, que respeito, deixo aqui um singelo conselho de amigo.

Leiam o capítulo dedicado a esta temática no livro “Mário Soares – Uma Vida” de Joaquim Vieira.

Até sempre camarada!
R.I.P.

(João Nabais - 07-01-2017)

 

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DESPEDIDA DE MÁRIO SOARES

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"O corpo pesado estende-se pela cadeira, por detrás da secretária. A custo, insiste em levantar-se.

Para me abraçar, para agradecer a visita.

O seu olhar perde-se naquela sala tão cheia de recordações, de histórias, de História.

As palavras saem-lhe com alguma dificuldade, quase automáticas, sempre amáveis.

  

Suscita os temas que o mobilizam, as emoções e as certezas últimas que lhe dão alento à vida, mas também as tristezas que o abatem.

Escolho bem as minhas palavras, mas não sei se são as certas.

Relembro tempos comuns, mas não tenho a certeza de me estar sempre a seguir.

Procuro assuntos que o façam reagir, agarra alguns, deixa passar outros em silêncio.

 

Os nomes fogem-lhe, vive já com essa realidade, organiza o discurso em torno desses espaços vazios.

Pergunta-me pela vida, mais para se orientar do que por real interesse.

Dou-lhe novidades que, há pouco tempo, seriam para ele banalidades.

Instalam-se entre nós as pausas, cada vez mais longas.

Fico muito triste, sem saber o que dizer.

Despeço-me com a quase certeza de ser aquele o nosso adeus."

 

(Escrevi este post em 4 de agosto de 2015. O amigo, que então não nomeei, era Mário Soares. Morreu há pouco. O encontro que relatei foi a nossa despedida)

 

(Francisco Seixas da Costa - 07-01-2017)

 

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Partiu um grande Senhor,

um lutador da liberdade, da democracia.

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Tive a honra de conhecer pessoalmente o Dr Mário Soares em 1974, na minha casa de Cedães, que ele e outros idealistas frequentavam.


Muitos dos que hoje o criticam, devem-lhe a ele a liberdade de se poderem expressar.
Tenho visto partir muitos grandes socialistas, homens de carácter, de ideais, sem medo,...
Cada vez o Céu está mais rico e a Terra mais pobre...


Lembro com carinho, algumas lutas e bons humores, nos anos 70, em terras nordestinas...


Pai, hoje tens aí mais um companheiro de lutas, camarada de ideais, defensor de causas e acredito que, mesmo dessa dimensão, ireis continuar a lutar por um mundo mais igual, mais justo e menos trapaceiro.

(Cristina Martins - 07-01-2017)

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 Foto de Filipe Amorim/Global proveniente de @ManNextDoor no Twitter

 

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Soares é Fixe, o resto que se Lixe.

(Paulo Neto - 08-01-2017)

 

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Aborrece-me constatar que a direita "informal" persiste das mais imbecis do mundo.

Se há coisa que Soares nunca suportou (e contra tal lutou até ao fim com maior ou menor felicidade) foi precisamente esse olhar vesgo, estúpido e analfabeto de um mundo a preto e branco.

 Como é que se pode construir alguma coisa à Direita com tanto cavernícola?

 

(João Gonçalves - 08-01-2017)

  

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Para clarificar: Nos idos de 70 e 80, a minha relação com Mário Soares não foi boa.

Do ponto de vista político, obviamente.

Militante do PCP à época, Mario Soares foi um adversário político.

Cheguei a ser presa numa manifestação de sindicalistas à porta da sua residência oficial.

Perdi um 13º mês que prometeu devolver-me e nunca o fez.

Mas reconheço em Mário Soares um lutador pela liberdade, um anti fascista.

Posteriormente, já depois de ter abandonado o PCP e aderido ao BE (de onde também já saí há uns anos), as suas posições quanto à guerra do Iraque, ao Médio Oriente, à Troika, ao combate pelos mais fracos, levaram-me a aplaudi-lo na Aula Magna por, pelo menos, duas vezes.

Toda a gente tem qualidades e defeitos.

E Soares tinha muitos defeitos.

Mas, a sua principal qualidade foi a coragem.

Não faço um luto pessoal, como é óbvio, faço um luto político.

A Liberdade está acima de todas as divergências.

(Paula Cabeçadas - 08-01-2017)

 

 

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UMA IMAGEM VALE POR 1000 PALAVRAS

O fotógrafo Tiago Miranda captou esta imagem de uma moradora lisboeta

que chorava na varanda da sua casa quando passava o cortejo funerário de Mário Soares.

Ver mais fotos aqui:

http://visao.sapo.pt/actualidade/portugal/2017-01-10-Funeral-de-Mario-Soares-em-88-imagens

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 (Telmo Vaz Pereira - 09-01-2017)

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Aderi ao PS por amor a Mário Soares

(Daniel Adriao - 09-01-2017)

 

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Então quer dizer que a democracia é irmã do João Soares ...

(Julio Manuel Cardoso - 09-01-2017)

 

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Hoje curvei - me perante o corpo do Camarada Mário Soares

Sempre votei Soares, fiquei com a alcunha de Soarista

Grande honra, que ficará para sempre no meu coração.

(Candida Cavaleiro Madeira - 09-01-2017)

 

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Há três palavras de que muito aprecio: democracia, liberdade e Europa.

Também tenho um especial gosto pelo debate, diferença de opiniões e pela política.

Por tudo isso, que não é pouco, é hora de homenagear Mário Soares.

(Diogo Feio - 09-01-2017)

 

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Obrigado Mário Soares pela luta

a favor de um Portugal, na Europa, desenvolvido

(José F Ribeiro - 09-01-2016)

 

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"Não deixem de lutar pela liberdade e pela democracia".
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SOARES É FIXE!

 (Florentina Grenha - 09-01-2017)

 

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MÁRIO SOARES

 

Prestei hoje a minha última homenagem a Mário Soares.

Fi-lo pela admiração, consideração e simpatia que por ele nutria.

Vi muita gente, anónimos, conhecidos, e até cumprimentei José Sócrates na fila espera onde TODOS estávamos.

A admiração, a consternação e a saudade fixavam-se naqueles rostos, como se tivessem perdido algo seu, porque, com certeza, Soares foi uma parte de cada um de nós!

E isto bastou, para que, tivesse esquecido todos os urros, zurros, e demais anormalidades que li, neste facebook, de pessoas recheadas de ódio, que não se lembraram que só o faziam, porque Mário Soares viveu, viveu grande, anti ditaduras, político hábil e coerente, enfim um Homem que, que sempre, advocou a Democracia.

Bem hajas Mário.

Uma história de PORTUGAL, a ser escrita em verdade e com verdade, colocar-te-á entre os eleitos dos grandes Portugueses.

Tu mereces, eu sei e esse legado, não te será omitido!

Sinto saudades!

(Luis Covas - 09-01-2017)

 

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Caros amigos facebookeanos,

como sabem, regra geral utilizo o Facebook de uma forma descontraída e com humor ...

No entanto não posso ficar indiferente a inúmeros tristes comentários que tenho lido nos últimos dias sobre a morte de Mário Soares.


Quer se goste quer não, independentemente da ideologia política de cada um, estamos a falar de um POLÍTICO que fez e irá sempre fazer parte da história de Portugal.


Sim, escrevi POLÍTICO em maiúsculas propositadamente; foi a ele (e não só - a todos aqueles que à data, por serem políticos e defenderam os seus ideais, apenas recebiam em troca anos de prisão) que devemos a democracia, a liberdade...


Foi um homem de luta e convicções; não é como os atuais "políticos pintados de fresco".


Só por isso, que não é pouco, devemos no mínimo respeito.


E lembrem-se: se tenho lido algumas barbaridades neste sentido, a ele o devem - LIBERDADE DE EXPRESSÃO!


Haja respeito!

(Sofia Amaral - 09-01-2017)

 

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Poema de Sophia de Mello Breyner, de Maio de 1975.

As palavras que porventura hoje todos precisamos ouvir.

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(Ana Paula Vitorino - 09-01-2017)

 

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A FALTA QUE MÁRIO SOARES FAZ

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Mário Soares tem tido provas de grande afecto, mesmo sendo um "Político".

Não é fácil ter-se essa condição, na hora da morte, sobretudo quando se está três longos anos sem intervir no espaço público, em resultado da encefalite que o afectou há e que o deixou bastante debilitado; e, entretanto, devido ao desaparecimento de Maria Barroso, que o deixou ainda mais combalido.

Não fossem esses infaustos eventos e teríamos tido um Soares a escrever e a intervir até ao último dia sobre assuntos como a fase final da intervenção da Troika, sobre François Hollande, sobre Putin, sobre os Wikileaks, sobre a crise política espanhola, sobre o desastre da política externa de Obama, sobre as eleições de 2015 que deram a vitória a Passos Coelho, sobre a emergência de Costa e da Geringonça como solução de Poder e sobre a extraordinária e inquietante vitória de Trump nas eleições americanas.

Infelizmente isso não foi possível, mas teria sido fantástico conhecer a sua opinião sobre todas essas coisas.

Percebi que o seu fim estava próximo quando há poucos meses assisti à homenagem que lhe foi organizada nos jardins de S. Bento por ocasião do 40º aniversário da posse do Primeiro Governo Constitucional, onde já não lhe era possível dar o seu testemunho.

Porque, importa recordar, apesar da sua idade, Soares mantinha, até,finais de 2013, uma importante e influente intervenção pública, através de iniciativas as mais diversas, designadamente eventos organizados e promovidos pela sua Fundação e ainda através de artigos regulares de jornal.

Senti muito a falta do seu magistério neste três penosos anos em que o silêncio se lhe impôs e onde nos faltou a sua opinião, sempre avisada, esclarecida e avançada sobre o tempo concreto.

Agora teremos todos de viver sem o seu depoimento e de conviver com as pitonisas e os exegetas do que teria sido o seu pensamento nestes tempos de tanta perplexidade que atravessamos.

Não nos faltará nada dessa adivinhação e garanto-vos que isso não será nada fácil.

Tenhamos paciência, porque muitos vão tentar servir-se dele, sem que Soares nos possa de facto transmitir o que pensava.

Ele faz muita falta.

(Antonio Ribeiro - 10-01-2017)

 

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publicado às 22:54

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As cerimónias fúnebres oficiais do funeral de Mário Soares foram muito bem organizadas, tiveram muita dignidade e, tanto quanto pude ver e acompanhar, boa expressão nos media portugueses.


O funeral e a maioria das reportagens dos media, além de corresponderem ao generalizado, respeitoso e sincero sentido de luto dos portugueses, serviram a história biográfica de Mário Soares e uma parte importante da história de Portugal.

(Armando França - 10-01-2017)

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Liberdade e Democracia!

O legado de Mário Soares que temos a responsabilidade de honrar coletivamente.

Obrigada Mario Soares.

Até sempre

(Maria Helena André - 10-01-2017)

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Em quanto existir Liberdade 

SOARES está vivo.

(Carlos Fortes Ribeiro - 10-01-2017)

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Haverá no PS um antes e um depois de Mário Soares.

(Daniel Adriao - 10-01-2017)

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A liberdade que usufruirmos hoje em dia foi um trabalho árduo e duro para muitos Portugueses.

Quem desvalorizar este facto, não merece aqui conviver.

A um dos obreiros e conquistadores desta liberdade que hoje ainda temos eu dou o meu obrigado.

Obrigado Mário Soares, até sempre.

(Amandio Fernandes - 10-01-2017)

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Hoje, no Largo do Rato, reencontrei muitos Amigos.

Amigos que estiveram presentes em diferentes fases da minha vida, ao longo dos últimos 40 anos.

Os meus Amigos de juventude, dos tempos da AAC, os amigos dos anos passados na Covilhã, os amigos que fiz em Lisboa.

Um velho Camarada veio dizer-me que se lembrava muitas vezes do meu Pai, outro falou-me da "luta das cantinas", quando Soares era Primeiro Ministro e eu acabava de chegar à Universidade de Coimbra.

Todos estávamos ali para homenagear Mário Soares e, dessa forma, invocar e afirmar os valores e os ideais que eram os dele, que são os nossos e que nos unem.

Hoje, no Largo do Rato, percebi o quanto a minha insignificante história pessoal se moldou nestes ideais, nestes afetos e com estas pessoas.

Também por isso, Obrigada Mário Soares!

(Cristina Paula Baptista - 10-01-2017)

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Não quis dizer nada sobre Mário Soares até hoje, dia em que assisti às cerimónias fúnebres.

Comovi-me com as palavras dos seus filhos e com as lágrimas dos netos.

E imaginei como me iria doer se ouvisse falar mal do meu pai ou da minha mãe.

Acertam-se contas em vida.

Depois de morto, chore-se ou cale-se.

Quanto mais não seja pela família.

Depois de morto só o monólogo de vivos é possível.

O resto são memórias.

Boas e más, mas apenas memórias.

O luto não tem cor politica.

É luto.

E merece respeito.

(Margarida Fonseca - 10-01-2017)

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INDIGNAÇÃO

Partilho o mail que acabei de enviar ao sindicato de que fiz parte.

Venho desta forma manifestar o meu desagrado pela ausência de condolências à família Soares e ao PS pela partida do lutador da Liberdade Mário Soares, detido 12 vezes pela PIDE, deportado para S. Tomé,eleito, democraticamente pelos portugueses para os mais altos cargos do País.
Foram Homens como Este, não sendo único, mas também não foi só o PC, e reconheço, não sendo perfeito, como qualquer ser humano, que permitem a existência de sindicatos, entre eles a fenprof, o Spn e a Liberdade de podermos discordar uns dos outros.
Não quero continuar sócia de uma instituição com "palas " desta dimensão.
Sou uma pessoa livre e a LIBERDADE que muito prezo devo-a em parte a Mário Soares.
Estava convicta que no SPN havia espaço para o reconhecimento.

Cordeais cumprimentos.
Antónia Cardoso ex. sócia nº 17910.

(Antonia Cardoso - 10-01-2017)

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Por vezes o silêncio grita.

Passamos horas nos congressos a aprovar moções de "solidariedade"com tudo e mais alguma coisa e nem uma palavra para .Homem que tanto lutou pela LIBERDADE.

(Alice Suzano - 10-01-2017)

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O meu bom feitio tem dias, como soi dizer-se.

Mas confesso que, com a idade, também tenho cada vez menos paciência para deixar que me obriguem a dar largas ao meu mau feitio.

Isto para explicar porque fiquei em recolhimento nestas 36 horas.

Todos os amigos sabem que adoro debater ideias.

Mas detesto debates estéreis.

E podem acusar-me, agora, de arrogância, mas decidi não escrever sobre Mário Soares enquanto duraram os preparativos e as cerimónias fúnebres, porque foi a minha forma de viver este momento de luto sem correr o risco de, se escrevesse sobre o assunto, ter de ler e reagir a alguns comentários que me obrigassem a mostrar o meu lado pior, ou seja, o mau feitio.

 

A esmagadora maioria dos amigos que aqui estão que me perdoe, porque tenho de reconhecer que sou uma privilegiada, já que raramente este meu mural é escolhido por gente intolerante ou mal formada.

Mas perante o que li por estes dias, noutros murais, resolvi não arriscar.

Porque independentemente de simpatias ou discordâncias naturais e salutares, há factos que só podem ser contestados por ignorância, cegueira ou má-fé.

Quanto à ignorância, é triste mas não pode ser combatida numa rede social, exigiria mais cultura e curiosidade intelectual.

Quanto à cegueira e má-fé, nem numa rede social vale a pena tentar contrariá-las.

Porque quanto mais se tentar fazê-lo, mais importância se lhes dá.

E eu só costumo dar importância ao que vale o esforço.

Ou seja, ao que importa.

 

 

E nestes dias, o que me importou foi honrar a vida e a memória de Mário Soares em silêncio, passando em revista tudo o que de fundamental ele protagonizou, e como isso contribuiu para mudar este País, e através dele, a nossa vida colectiva.

Nada do que caracteriza o Portugal de hoje foi alcançado sem o contributo decisivo de Mário Soares - liberdade, democracia, voz respeitada no contexto internacional, participação activa e comprometida na Europa -, por vezes contra correntes de opinião adversas.

E por isso, também me custou muito ouvir jornalistas explicarem a ausência das gerações mais jovens nas ruas de Lisboa com o facto de Soares ter vivido há muitos anos afastado de cargos políticos e não ser, portanto, conhecido dos mais novos.

Fiquei a pensar como é triste que a nossa História fique, assim, sujeita ao esquecimento só pelo facto de irem morrendo os que a viveram de perto.

Como se não houvesse espaço para a memória do que se passou antes de cada um de nós.

E só tivesse interesse e importância o nosso próprio presente e futuro próximo.

É isto que define o grau de cultura de um povo e a dimensão da alma humana.

E com tanto desinteresse pelo passado, não admira que o nosso presente se vá tornando cada vez mais pobre e o futuro uma perigosa imprevisibilidade.

Admito que não estou num dos meus melhores dias.

Talvez acorde melhor amanhã.

(Lurdes Feio - 10-01-2017)

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"Um homem que tinha sempre razão", diz Pedro Nuno Santos

Considerando Mário Soares uma fonte de inspiração, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares afirmou, à saída do cemitério, que o fundador do PS deixou como ensinamento a necessidade de "lutarmos sempre, enquanto tivermos forças, por aquilo em que acreditamos".

 

"Vi um homem a ter razão sempre - quando lutou pela liberdade, pela consolidação da democracia, pela adesão ao projecto europeu e depois contra a deriva socialista da Europa", descreveu Pedro Nuno Santos. M.L.

 

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A minha ultima homenagem a Mario Soares.

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 (Isabel Vigia - 10-01-2017)

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 (Pedro Sousa - 10-01-2017)

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 ADEUS, MÁRIO, ATÉ SEMPRE!

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 (Carlos Fino - 10-01-2017)

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Até Sempre. Obrigado.

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 (Rui Nelson Dinis - 10-01-2017)

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Desculpem lá....mas tudo o que é demais...é moléstia .
Ouvir um primeiro ministro não eleito pelo povo (mas por uma concertação de esquerda em secretaria) usar 10 minutos de palavra para adjetivar um homem com qualidades, muitas das quais não possuía, é demais.
Que é um lamento nacional perder um ex presidente da república , é. Que fez parte da nossa história num momento importante, fez.
Mas agora, fazer dele quase um santo, quando o sr., em muitos momentos, não teve respeito por milhares de portugueses, principalmente com os nossos retornados ( "atirem-nos aos tubarões", como se lembram), já é demais.
Preste-se a homenagem, dê-se as condolências aos familiares e amigos, mas não queiramos fazer um reset na memória das pessoas.

 (Liliana Silva - 10-01-2017 13:45)

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Obrigada Camarada Soares, obrigada a todos os Fundadores, obrigada Pai...


Ao contrário de alguns Camaradas, não me repugna ouvir falar mal do Dr Mário Soares, pois só prova que realmente ele fundou a Liberdade em Portugal... incluindo o direito à livre opinião... consensos havia no tempo da ditadura (e hoje somos livres - até de dizer ;) )...


OBRIGADA A TODOS OS FUNDADORES DO PARTIDO SOCIALISTA, pelo direito à Liberdade, à Democracia, à Igualdade, ao Respeito pelas diferentes opiniões.


Hoje dissemos adeus ao nº 1 do nosso Partido, saibamos respeitar aquele, que passa a partir de hoje, a ser o militante mais antigo, o nosso querido amigo e Camarada Eng. Antonio Campos.

Um agradecimento muito especial, àquele que me incutiu os verdadeiros valores de esquerda, o respeito e o direito pelo Livre Arbítrio, o meu pai, o meu herói.


Sou transmontana, sou do nordeste, do distrito onde foi mais difícil implantar os ideais socialistas... Um dia contarei a história das nossas lutas, das nossas causas... do nosso Distrito

(Catarina Martins - 10-01-2017)

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publicado às 22:53

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Como cidadã e particularmente como militante do PS quero reconhecer publicamente, e agradecer, à Secretária Geral Adjunta do Partido Socialista, Ana Catarina Mendes, o modo empenhado e digno, e genuinamente sentido, como fez o Partido do Fundador honrar a sua memória nos momentos da despedida física.


Como ela disse "Soares merecia". Verdade!

Porque "Soares é fixe" ... para sempre.

(Euridice Pereira - 11-01-2017)

 

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A Assembleia da República homenageia, esta tarde, Mário Soares, o político que lutou e consolidou a nosso regime democrático e que conseguiu alcançar o nosso sonho europeu.

Maria de Jesus Barroso e Mário Soares marcaram a História de Portugal e Europeia do séc. XX.

"Só perde quem desiste de lutar"

(Ana Paula Vitorino - 11-01-2017)

 

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Estou a ver na tv uma série de políticos pequeninos a "homenagear" um político maior.

Em certo sentido até é bom para constatarmos como a coisa tem vindo a descer constantemente desde a Constituinte.

(João Gonçalves - 11-01-2017)

 

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Reparem no garoto na extrema direita da foto.

É membro da mesa da AR pelas Blokas.

Não aplaude Mário Soares.

É um direito dele, infantil e rasca.

Mas a partir do momento em que qualquer tipo sem história pessoal ou uma biografia, democrática ou não, pode aceder à mesa do parlamento (ou à chefia do partido dele), batemos no fundo de um charco.

Há lá muitos amorais, ou estúpidos simples, não importa, como ele.

(João Gonçalves - 11-01-2017)

 

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No dia em que nos despedimos de Mário Soares, ouvimos o último discurso, enquanto presidente dos EUA, de Obama. Estes dois grandes homens apelavam ao respeito e à tolerância. Temo o futuro onde a intolerância espreita.

(Alexandra Serra - 11-01-2017)

 

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Em 20 de Janeiro a maior potência do Mundo por vontade do povo vai ser governada por multimilionários,banqueiros e misses de passarela.


O poder dos interesses liquidou totalmente a força dos ideais.


É um novo mundo que começa onde a força das armas da intolerância e da violência vai opor-se á da Liberdade e á Democracia.


Vejo por aí tanto canalha contra os políticos que servem e dedicaram uma vida a defenderem nobres causas colectivas a serem vilipendiados na praça pública que devem sentirem-se realizados pela vitória dos interesses na maior potência do Mundo.


Resta aos democratas que amem a Paz,Liberdade e Solidariedade resistirem a este assalto do poder dos interesses.

(Antonio Campos - 11-01-2017)

 

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A passar os olhos pela página principal leio frases interessantes, de gente que dá graças porque "aquilo finalmente acabou".

Entretanto o adeus a Soares é atravessado com notícias dos EUA, e aquilo vai começar...
A luta continua, e "aquilo" não acabou!

 

"Gostava que os partidos de esquerda se entendessem, mas não quero pedir tanto...

Talvez um dia seja possível.

Lembro uma coisa: os social-democratas e os comunistas alemães passavam a vida a discordar e a discutir quando apareceu o Hitler.

Acabaram todos em campos de concentração.

Temos de pensar nisso."

Mário Soares - Visão, 30 Mai 2013

 

(Rosa Lopes Ribeiro - 11-01-2017)

 

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Talvez a melhor foto dos últimos dias!

(João Paulo Santos - 11-01-2017)

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 Um amigo de OLIVAL BASTO, que bem conheço, um comunista de respeito,

que respeitou um Homem que muito fez por Portugal....

(Carlos Fortes Ribeiro - 11-01-2017)

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Concordo João Paulo Santos.

E, não posso deixar de fazer uma referencia ao post anterior do Carlos Fortes Ribeiro que que diz respeito à identificação da pessoa da foto.

Se assim é - e não tenho qualquer dúvida que me para duvidar - este gesto só enobrece a pessoa que o pratica e representa a transversalidade que Mário Soares deixou em Portugal.

 

 (Jose Manuel Graça - 11-01-2017)

 

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Acusado de ser o timoneiro de um processo de descolonização que lesou milhares de portugueses, lemos e ouvimos gente capaz de dizer o indescritível, espumados pela vingança...

(Paulo Neto - 11-01-2017)

 

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Mário Soares e a História.

E a da descolonização que tanto ódio e rancor fez correr e vir ao de cima estes dias de uma forma inimaginável e inenarrável.

Treze anos de guerra, de sofrimento e de morte com consequências que por muito tempo se farão sentir não bastaram para uma boa parte daqueles que teimam em não entender que os verdadeiros e únicos culpados são Salazar e M. Caetano.

A par das guerras/lutas fratricidas civis desses países.

 

(Dulcínia Reininho - 11-01-2017)

 

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 (Jose Manuel Graça - 11-01-2017)

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“Mário Soares desafiou as regras do ‘Príncipe’ na política.

Foi perfeito e imperfeito.

Foi ousado e cometeu imprudências.

Apostou e ganhou.

Apostou e perdeu.

Foi fraterno e foi difícil.

Nunca foi, porém, desinteressante e muito menos irrelevante.

Nunca faltou ao seu país”

 

 (Carlos Cesar - 11-01-2017)

 

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Um casal que foi fundamental para o Portugal moderno em que,

apesar de tudo, nos tornámos, democrático, livre e republicano.

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 (Paulo Barral - 11-01-2017)

 

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Podem não gostar.
Podem gostar, muito pouco ou nada.
Podem amar e até odiar.
Mas, o que não podem, é apagar a historia.
Porque, na historia, só ficam os melhores.

 

 (Arnaldo da Cunha Serrao - 11-01-2017)

 

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Queria que este momento nunca tivesse existido, mas perante a inevitabilidade da "partida" do "Melhor de Nós", foi uma enorme HONRA ter participado nesta cerimónia tão bela, tão Portuguesa, tão cheia de carinho.

Ouvir a voz de Mário Soares e de Maria Barroso a ecoar nos claustros, sentir o carinho do João e da Isabel, ouvir o Agnus Dei e cantar a Portuguesa, foi uma emoção difícil de traduzir.


Jerónimos, Assembleia da República, Largo do Rato, lá fui percorrendo os caminhos da história, entre reencontros e abraços a amigos, entre gritos de "Soares é Fixe" e lágrimas de cidadãos anónimos.


Mário Soares mereceu tudo isto e muito mais.
Obrigado por toda a inteligência, cultura, coragem, determinação e alegria, colocadas ao serviço de Portugal

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 (Luis Pedro Martins - 11-01-2017)

 

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"Nada mais pode orgulhar os socialistas

que a consagração do nosso fundador como referência comum do Portugal livre,

democrático e europeu, que partilhamos com todos os portugueses"

 

escreve António Costa na mensagem a que a Lusa teve acesso

e que encerra as homenagens deixadas escritas na sede nacional do PS, em Lisboa.



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publicado às 22:52

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A morte de Mário Soares

Ouvi falar, pela primeira vez, de Mário Soares em 1971 quando concluí que o regime salazarista-marcelista era uma ditadura e me decidi por ser opositor ao regime. Soares era um dos oposicionistas mais destacados. Nessa época, senti-me atraído pela ideologia comunista.

 

Estive com Mário Soares na descolonização. A possível, claro. E muito me irrita que os chamados "retornados" não entendam duas coisas. Primeiro, que nas décadas de 1950, 60 e 70, eles tenham sido os "cavalos de Tróia" do salazarismo em África, o mesmo salazarismo que desprezava qualquer ideal de melhoria do nível de vida em Portugal. Segundo, que Portugal estava, em 1974, numa posição de fraqueza. Não era possível negociar quase nada... e isso era culpa do salazarismo-marcelismo.

 

Confesso que senti raiva contra Soares quando ele disse que o socialismo ia ser "metido na gaveta". Os governos da década de 1970, presididos por Mário Soares, não mereceram, da minha parte, grande apoio. Não gostei de ver destruída a reforma agrária.  Em 1986, todavia, não hesitei em votar em Soares. Não precisei dos conselhos de Álvaro Cunhal para o fazer. Não me esquecia do papel de antifascista e de lutador pela liberdade de Mário Soares. Gostei de ver Mário Soares a denunciar as injustiças do mundo saído da queda do muro de Berlim. Os excessos do capitalismo sem regras.

 

O falecimento de Soares não me deixou indiferente. Como historiador/professor de História, não duvido do seu papel "positivo" para Portugal. Como “bloquista” não partilho os ideais por que se bateu, ou, pelo menos, alguns deles- Como amigo e defensor da liberdade, considero que o seu legado é também o meu, e que muitas das suas causas foram (e são) as minhas.

 

Algo de curioso me levou a escrever estas linhas. Descobri, inesperadamente, que Mário Soares esteve sempre presente na minha vida. Com ele, morre parte da minha própria história pessoal. Da história do meu/dele antifascismo. Da história do meu/dele amor à liberdade.  Espero que não (me) morra a coragem de que ele foi exemplo.

 

 Carlos Eduardo da Crua Luna, Estremoz

 

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Soares e os outros

 

É possível identificar entre as reacções à morte de Mário Soares, três grupos. No primeiro, estão os que nunca perceberam que foram o adiamento e a teimosia de Salazar, os principais responsáveis das consequências do acelerado processo de descolonização

No segundo, estão os que nunca perdoaram a Mário Soares a recusa da sovietização do regime. No terceiro grupo, com mais ou menos sinceridade, estão os que consideram ter sido Soares o mais importante e destacado político da Democracia portuguesa!

 

Na balança, os erros, as contradições e mesmos os pecados que tenha cometido, foram mais leves que as decisões de fundo que teve a enorme coragem de tomar.

A luta contra os totalitarismos, de esquerda e de direita que ameaçaram impor-se no Portugal, foi decisiva. Só por isso, qualquer democrata deverá estar egrato a Mário Soares!

 

Hélder Pancadas, Sobreda

 

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Mário Soares deixou-nos

Mário Soares deixou o mundo natural de todas as coisas e seres, que são efémeros. E o seu derradeiro dia chegou. Dele me despeço com muita admiração por tudo que fez e não fez, não conseguindo, por isso, um consenso político de entre todos os portugueses.

 

Quero recordar um episódio por mim observado aquando de uma das muitas arruadas em campanha eleitoral pela baixa da cidade do Porto, mais precisamente quando descia a Rua de Passos Manuel. Enquanto era saudado pelos milhares de pessoas que se postavam ao longo dos passeios batendo palmas, uma das presentes gritou ‘matai-o’.

 

Todavia, o adágio popular cumpriu-se: ‘o cão ladrou e a caravana passou’; mas, hoje, infelizmente, o seu périplo terreno findou. Que Deus bem o receba e o tenha em bom lugar.


José Amaral, Vila Nova de Gaia

 

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As "expulsões" de Salgado Zenha. 

 

Morreu Soares.  O cravo, depois de seco/foi-se queixar ao jardim/a rosa lhe respondeu/tudo o que nasce tem fim. É assim, mesmo que seja triste.

 

A autentica avalanche de comentários, reportagens, análises e o mais que ainda se escreverá, começam a cair nos limites do exagero, como se Mário Soares fosse quase um santo... um santo laico. Sim, porque tanta gente a dizer bem, o falecido parece não ter defeitos. Mas tinha. Todos temos. Ah, mas não é a altura. Quando alguém termina o seu ciclo, o que se diz é que, no mínimo, era boa pessoa, paz à sua alma.

 

Na profusão de comentários há imprecisões. Como escrever que Soares expulsou Zenha de líder parlamentar do PS. Não é exacto (eu era deputado, nesse tempo da FRS). A direcção do grupo parlamentar demitiu-se em bloco, dado que não tinha condições que lhe foram tiradas por. Soares. Como também não é exacto que Zenha tenha sido expulso do PS. Saiu pelo seu próprio pé, quando decidiu candidatar-se a Presidente da República. A  palavra "expulsão" tem um valor pesado, que não sendo exacto o seu emprego, não fica bem nem à memória de Zenha nem à de Soares.

 

Vergílio Fernando Marques Rodrigues, Braga

 

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Feriado nacional no dia do funeral

 

Recordar Mário Soares, para mim, é reviver o "25 de Abril de 74". A política, as manifestações, as eleições, os colóquios, os comícios, as campanhas eleitorais, os cartazes, a esperança e a liberdade. Recordo-me de Mário Sores sair do teatro Carlos Alberto, no Porto, depois de um comício para a sua candidatura a Presidente da República, onde me encontrava, não como apoiante, mas como transeunte e ser cumprimentado de uma forma natural e afável.

 

Mais do que um candidato, na altura, pareceu-me um homem que sabia o que queria e capaz de dirigir, realmente, um país. Assim, considero que Portugal acaba de perder uma grande parte da sua história viva. Devia ser feriado nacional no dia do seu funeral.

 

Gens Ramos, Porto

 

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Muito obrigado Mário Soares

Mário Soares, que foi ao longo de toda a vida um defensor incondicional da liberdade, merece, sem qualquer dúvida, o respeito e a admiração de todos os portugueses. A vida de Mário Soares foi um testemunho exemplar de uma vida dedicada à luta pela liberdade e pela democracia. Mário Soares pode ter cometido alguns erros, como todos aqueles que têm que tomar decisões em momentos difíceis e controversos, mas mesmo admitindo esses erros, foi um grande estadista e continuará para sempre ligado à História de Portugal. Por tudo isto e não é pouco, o meu muito, muito obrigado ao Dr. Mário Soares.

 

Manuel Morato Gomes, Senhora da Hora

 

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Soares não desiste

 

Nunca votei Mário Soares em legislativas ou presidenciais. Tal não impede que hoje esteja triste. Foi em 1973, ainda em ditadura de Salazar, que arrostei alguns naturais incómodos para poder assistir a um comício da CEUD no Teatro Vasco Santana em Lisboa. Até 1980, Soares foi indispensável na liderança política portuguesa, face à ameaça comunista. O PPD e o CDS, face ao poderoso PCP de Cunhal, mesmo aliados que fossem, nada poderiam ter feito para anular a ameaça totalitária que pairou no nosso país entre 1974 e Novembro de 1975. Só a coragem e a inteligência de Francisco Sá Carneiro, possibilitaram em 1980 a existência de uma alternativa ao comunismo, sem passar pelo PS de Soares.

 

Mas foi mais fácil a Sá Carneiro avançar, depois de Soares e o grupo militar dos Nove terem rechaçado as aventuras de Cunhal e seus aliados. Não esqueço também o fantástico comício da Fonte Luminosa em Lisboa. E na Marinha Grande, onde Soares gritou a Cunhal e aos sindicatos comunistas que Portugal não era Moscovo. Nesses duros tempos, era preciso coragem física, era preciso não desistir. E Soares nunca desistiu de lutar pelas suas ideias, mesmo quando mal apoiado ou mesmo sozinho. Chegou mesmo a cortar relações com amigos (Zenha e Alegre), quando entendeu que eles estariam errados. Foi um político que viveu intensamente a política, como uma segunda pele. E nunca se queixou que a política era chata ou que fazia um sacrifício em servir o país. Desempenhou espinhosas missões com alegria e optimismo. E como Presidente inaugurou um estilo que contrariou a tese de que o Presidente da República seria pela Constituição uma "rainha de Inglaterra". No seu segundo mandato de PR usou (e abusou até) dos poderes constitucionais para travar um combate contra Cavaco Silva.

 

Nunca tal se tinha visto, um primeiro-ministro com maioria absoluta ser travado e combatido pelo Presidente. Mas ao fazê-lo inaugurou um estilo e estabeleceu jurisprudência. Os que agora criticam Marcelo pela sua proximidade e popularidade, revisitem as campanhas de Soares e verão que este Presidente apenas seguiu o exemplo de Soares. Com o passamento de Mário Soares morre uma parte de Portugal, como o conheceu a minha geração. Paz à sua alma.

 

Manuel Martins, Cascais

 

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A grande política

A vida política para além duma vocaçã, é a  paixão por um trabalho assente no bem estar comunitário, não procura os exagerados bens materiais, mas  a satisfação de um dever público bem exercido, sem patrões, sem chefes que  coartam as iniciativas,  cumprindo  somente a legislação, granjeia os aplausos de todos. Os políticos de referência, ainda que com as suas ideologias próprias, estão sujeitos a uma certa dependência das correntes partidárias.

 

Cabe aos eleitos, sem atraiçoarem esses laços políticos, conseguirem emergir e imporem as soluções mais favoráveis aos cidadãos. Como diz João Miguel Tavares, no PÚBLICO, referindo Mário Soares, o grande politico é o que exerce a sua influencia nos momentos fundamentais. Mário Soares bem ou mal compreendido, com decisões bem ou mal  tomadas, está na galeria dos grandes políticos.

 

Duarte Dias da Silva, Lisboa

 

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publicado às 22:23


Mário Soares. Aqui. Hoje.

por efepe, em 11.01.17

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Na voracidade da pressa e da instantaneidade com que hoje se assume a vida e se ajuíza o outro, a morte é o momento da afectuosidade que não se soube entregar em vida. Por isso, tentamos recuperar no infinito daquele momento o que nos faltou no finito da nossa relação.

Na morte e diante de personalidades marcantes, há quase uma “compita” laudatória, onde a unidade na diferença quase se transforma na unicidade compulsiva. Hoje, perante a morte, a sageza do silêncio sofrido e respeitador tem vindo a ser trucidada pela obrigatoriedade da palavra mil vezes repetida, pela sofreguidão de câmaras desordenadas e pela mistura sórdida da democratização da proximidade pelas redes sociais com o seu uso reles, odiento, bárbaro e ignorante.

 

Morreu Mário Soares. O momento do seu desaparecimento físico é tempo de grandeza da memória, de balanço da gratidão e de legado do exemplo. Nas 11 vezes em que se candidatou a funções políticas (deputado, primeiro-ministro, presidente da República e eurodeputado), só uma vez votei nele. Ou melhor duas, uma por via indirecta. Refiro-me às eleições de 1969 (tinha eu 18 anos) em que, no círculo de Aveiro, votei CDE, que seria CEUD se tivesse votado em Lisboa.

 

Não escrevo, pois, como seu seguidor político ou doutrinário. Antes o faço com total liberdade e o necessário distanciamento. Mas, com indestrutível sentimento de gratidão. A ele (embora não só) lhe devemos a lucidez da coragem e a coragem do confronto em nome dos mais virtuosos valores da política: democracia e liberdade. Lá estive na Fonte Luminosa, em 1975, no momento de viragem erradicando novas tentativas totalitárias, ouvindo um só homem, mas tão acompanhado.

 

Esta conversa ainda hoje me acompanha no celeiro decrescente da minha memória. Uma lição, ainda que por método paradoxal de anti-lição. Afinal, ali estava muito do que caracterizou Mário Soares na vida pública: estadista e não apenas político, mundividente sem fronteiras, com a exacta noção do importante que não se dissolve na pressão do urgente, intuitivo e instintivo, corajoso como expressão da sua plena ideia de liberdade, amante da vida e prenhe de vida. Sempre acompanhado de Maria de Jesus Barroso, uma grande Senhora, no que isso significa de integridade humana e ética.

 

“Aqui. Hoje”. Assim se intitula um poema de Jorge Luís Borges, que começa assim: “somos o esquecimento que seremos”. Começou agora o desafio da imortalidade de Mário Soares, para contrariar a “norma” do escritor argentino. Sobretudo com e para as novas gerações.

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publicado às 22:16


Soares foi fixe

por efepe, em 11.01.17

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Soares foi fixe. E a mais convicente prova disso foi a forma como o país se despediu da “figura mais importante da segunda metade do século XX”, como diz uma das alunas do mestrado de História da Universidade de Lisboa num dos artigos da edição de hoje. Para quem nasceu depois do 25 de Abril, para a chamada geração millennials, o exílio e a deportação são arcaísmos sem sentido, expressões distantes de um país que travou uma guerra colonial insana. Para os pais e avôs dessa geração, arrastados para essa guerra, Soares não foi, não podia e não devia ser uma figura consensual.

O país deve-lhe a coragem da luta antifascista, a consolidação democrática e o destino europeu imposto a um velho império que há séculos se encontrava à deriva e a cair de podre e de anacrónico. Para quem nasceu depois do 25 de Abril e da adesão à Comunidade Europeia, que sentido faz hoje falar em liberdade? É esse dado adquirido que leva um dos alunos citados no mesmo artigo a afirmar que, “felizmente, não ficámos órfãos. Há muitos pais da democracia”. Esta geração pode não conhecer os detalhes da chegada a Santa Apolónia, desconhecer a importância do comício da Fonte Luminosa e a ameaça da unicidade sindical ou as conspirações do ex-secretariado. Os seus pais, provavelmente, também não. O que recordam é uma campanha eleitoral, a última — a da sua maior derrota. Assim como os seus pais recordam a primeira eleição presidencial que, à segunda volta, fracturou os liceus entre quem usava o autocolante do “Soares é fixe” e o “Prá Frente Portugal” da campanha de Freitas do Amaral.

 

Mas não é por isso, por terem conhecido um Soares tardio, que as gerações mais novas não interiorizaram o que é uma democracia e os conceitos mais básicos que ela implica. O que os define não é o típico discurso salazarista do "antes é que estávamos bem", da defesa do Portugal Amordaçado que Soares combateu. Isso é atributo dos mais velhos. Se algo os define é a liberdade de expressão e de mobilidade proibida às gerações anteriores. Eles não perderam um pai porque não nasceram numa ditadura provinciana e tacanha, no respeitinho de um duce de trazer por casa. E quando olham para a nossa história sabem avaliar a importância do legado de Soares e da geração que fez o 25 de Abril. Cada geração admira ou odeia Soares à sua maneira. Mas todas elas estão em dívida para com ele. Particularmente, esta. A geração Europa. 

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publicado às 22:10


Obrigado e desculpe, Mário Soares

por efepe, em 11.01.17

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Mário Soares deixou-nos e mais de meio país apressou-se a bater-lhe palmas e a dizer-lhe obrigado. Curioso: esse país grato não é o que a geração de 1974 sonhou e pela qual tanto se bateu. A política perdeu o encanto, o espírito de missão e a crença na construção de uma sociedade melhor. Portugal é hoje um país em sobressalto, com os fantasmas da dívida, da injustiça e da pobreza à solta. A Europa deixou de ser aquele lugar de sonho em que escreveríamos um novo capítulo após a perda da África. Mas, ainda assim, a grande maioria dos portugueses agradece a Mário Soares – porque sabe que nem ele nem a hoste dos democratas que inspiraram o 25 de Abril e ajudaram a derrotar as tentações totalitárias do Verão de 1975 são responsáveis pelo que aconteceu nas últimas décadas. Pelo contrário, Mário Soares é, como a maioria dos portugueses de hoje, vítima de um projecto traído pelos delírios da política nacional e pelos desvios da política europeia. Os que hoje lhe dizem obrigado deixam implícito um pedido de desculpas e o desejo de recuarem no tempo e voltarem a esse Portugal que um dia pôde sonhar.

A geração que tem hoje 40/50 anos não esteve à altura do legado do 25 de Abril. Falhou. Vai deixar aos filhos um país menos esperançoso. O adeus a Mário Soares serve para constatar essa dolorosa verdade. Repare-se que dizemos “obrigado” a Soares mais pelos seus primeiros 40 anos de percurso político do que pelos 30 anos que decorreram após a sua primeira presidência. É verdade que temos de agradecer ao Presidente Soares a onda “fixe” que libertou em vésperas da integração europeia. Mas o Soares presidente era já um homem de um tempo novo, um tempo de normalidade democrática que não quis ou não foi capaz de temperar. O lugar do sonho depressa foi ocupado por uma geração oca, deslumbrada com o novo-riquismo do dinheiro a crédito, sem densidade de vida nem de ideias, apenas ávida de facilitismo e propensa à cumplicidade venal com os amigos das negociatas.

 

Soares foi um homem de futuro até ao último dia, mas o que o país lhe deve radica nessa área do seu passado em que foi necessário lutar contra um regime mesquinho e desprezível que nos amordaçava e ensaiar um caminho em busca de um país aberto, moderno, europeu e cosmopolita. A sua grande luta entre 1975 e 1985 teve por base a firme convicção de que Portugal só seria capaz de sarar as feridas do fim do império e de varrer a pobreza material e moral do salazarismo se ancorasse o seu destino ao das democracias ocidentais. Hoje, essa missão pareceu fácil. Mas não foi. Fui duríssima. Lutar contra o poder da rua do PCP e da extrema-esquerda; minar o MFA por dentro; fazer comícios num clima de ameaça; apagar as dores de um país que, de súbito, encerrou um capítulo de cinco séculos de aventura colonial; resistir a uma comunicação social e a um aparelho de Estado infiltrado por inimigos políticos implacáveis; tudo isso exigiu exemplo e coragem.

 

Vencida essa batalha em Novembro de 1975 e consolidada a vitória nas primeiras legislativas de 1976, Soares empenha-se noutro combate que justifica o nosso “obrigado”: o combate da integração europeia. Uma vez mais, teve de se confrontar com o PCP, que, sendo um partido pouco dado à hipocrisia, fez questão de recordar estes dias “as profundas e conhecidas divergências” que manteve com o ex-Presidente. Soares fez tudo o que pôde para que o destino europeu se cumprisse. Até dois programas de ajustamento com o FMI. A Europa de hoje não é essa Europa confiante, generosa, crente na grandeza única de um projecto de paz e prosperidade que Soares conheceu. Mas, sendo uma Europa pior, é ainda a única referência que temos para poder saltar o muro da asfixia financeira, controlar o saudosismo salazarento, ou para nos protegermos contra os danos de uma elite política e financeira mais interessada no seu umbigo do que na sorte do país.

Com as presidências de Soares e as maiorias de Cavaco Silva, esse papel estava pronto e havia muitas possibilidades de lhe imprimir um projecto viável e esperançoso. Depois, veio a vertigem do betão de Cavaco, a modorra de Guterres, a fuga irresponsável e provinciana de Durão Barroso, o delírio daninho e opíparo de Sócrates, a ideologia corajosa, mas pacóvia, da redenção nacional pela via da austeridade de Passos Coelho e, finalmente, a suave melodia da sereia interpretada por António Costa que nos leva a ver o mundo como ele quer que seja visto.   

 

Agradecer a Soares pelo país que nos deixou é festejar a democracia sólida ou o Estado social eficaz. O país é hoje muito melhor, mas as suas injustiças, a dívida, o Estado capturado pelos interesses, a pobreza e o desemprego são a prova de que ficámos a meio caminho. Podíamos e devíamos ter andado mais. Dizer obrigado a Soares é um acto óbvio de reconhecimento pelo que nos deixou – a democracia liberal, o Estado social, a Europa. Mas pedir-lhe desculpa pelo muito que falhou não é apenas uma forma de homenagear essa geração extraordinária de portugueses da qual Soares foi o mais completo representante: é também uma manifestação da vontade de recuperar os seus ideais e a sua energia, ranger os dentes, saber resistir às dificuldades sem propaganda nem demagogia e olhar com coragem para o futuro. 

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publicado às 21:58


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